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Cultura |
| 30 de Agosto de 2010 | Comentar (0) | ![]() |
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...Alto e gordo. Moreno claro, olhos cor de mel, bigode imenso e cheio, expressões físicas de um mexicano, mas era do sertão nordestino. Os cabelos brancos e lisos, uma figura quase interessante, que combinava com o cenário local.
Saía de casa, madrugada, todos os domingos. Na missa, primeiro banco à esquerda, ao lado sua senhora, Dona Herta. Rezava salve rainha, credo e pai nosso. Abria a boca num bocejo cálido e com cheiro de café moído e loção de barbear. Era um grosseiro genuíno.
Com seus 76 anos, ele guardava um caderno antigo de capa dura e com páginas amareladas.
Ninguém sabia o seu conteúdo, parecia que as paredes da fazenda tinham olhos cúmplices. Vez por outra, depois que o sol voltava para dormir, ele sentava na sua cadeira de balanço e escrevia ,e às vezes apenas lia,fechava o velho caderno e dormia no seu cantinho.
Um dia não acordou na hora certa. Família aflita, ele havia viajado de uma vez. Choros e velas. Dias passados. E o caderno guardado.
Arrumando o quarto, a viúva num misto de desobediência e curiosidade, abriu o caderno. Era um livro de poesia que seu Zoé escreveu durante todo o seu casamento. Poesias felizes, poesias fortes e falando de amor. Na contracapa uma observação com letras desenhadas:
“-O caderno é seu, o meu amor que não soube demonstrar, sempre foi seu, menos os carinhos e os fatos que não deixei que acontecessem por uma razão que talvez possa explicar numa certeza: um amor nítido que sai de você que não me deixava pensar.”
Ela rasgou o caderno, talvez ainda desse tempo de viver algumas poesias.
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Desenvolvimento: Ponto Criativo