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27 de Abril de 2009 Imprimir artigo Enviar por e-mail

Os palácios do Maranhão

 

Por: Públio José – jornalista

(publiojose@garrapropaganda.com.br)


É sempre bom se prestar atenção aos noticiários da televisão. Lamentavelmente, não pela qualidade deles em si, coisa rara de se ver, mas por detalhes interessantíssimos que deixam escapar. É bem verdade que muitos deles você espreme, espreme e não sai nada. Mas de vez em quando... Como ocorreu semana passada, durante a posse da nova (?) governadora do Maranhão, Roseana Sarney, tornada mandatária em função da cassação do governador Jackson Lago. Com muita empolgação, o repórter narrava a agonia final do governador deposto, teimoso em deixar a residência oficial, o Palácio dos Leões. Ele resistia bravamente a tornar-se, de uma hora para outra, um mortal comum. Daí sua tenaz negação em largar o conforto palaciano. Lá pras tantas, o noticiário informa que, enquanto Lago não sai do Palácio dos Leões, Roseana ficará hospedada no Palácio Henrique de La Roque.

Aí dei um salto da poltrona! Era palácio demais para o meu gosto! Não somente para o meu, como também para o gosto de largas e largas parcelas da população maranhense, atoladas em miserável realidade de indigência e pobreza. Com a informação passada pelo repórter, fiquei a imaginar se, naquele exato momento, o vice do governador deposto também não estaria resistindo a deixar algum palácio, como também se o vice da governadora entrante – em razão da fartura de palácios existentes no perímetro urbano de São Luiz – não estaria acomodado em outro palácio governamental enquanto aguardava a desocupação do que lhe seria oficialmente destinado. Como se vê, é palácio pra todo lado no Maranhão! De se lamentar, e causar revolta, a constatação a que se chega, nesta circunstância, a respeito da utilização dos recursos públicos no estado desde remotas eras.

Pois não é de hoje que esta visão de construir palácios e residências suntuosas para si, em detrimento das carências e necessidades do povo, tem atacado nossas elites, principalmente as que se alocam nos altos cargos da administração pública. Se varrermos o olhar em torno da estrutura posta à disposição dos três poderes, veremos que o judiciário, por exemplo, muito antes de resolver questões que envolvem o seu paquidérmico funcionamento, proveu para si palácios monumentais e instalações de suntuosa aparência. A elite maranhense, portanto, desde séculos atrás, fez o que outros grupos dominadores também fizeram, porém numa medida mais avantajada, mais desproporcional. Pois o que se vê no Maranhão, a separar ricos e pobres, é de uma diferença tão gritante, a chocar olhos mais civilizados, que dificilmente se observa realidades semelhantes Brasil afora.

Falo aqui, entenda-se bem, não de pobreza generalizada, mercadoria que o Brasil ainda tem ampla e farta. Mas da repulsiva distância a separar, em termos materiais, grupos bem abastados do restante da população, fenômeno que, no Maranhão, é visto em dimensão extraordinária. Fica claro, então, que, para acontecimento e consolidação desse contexto maranhense ao longo do tempo, a participação do clã dos Sarney teve peso considerável, haja vista ser pública e notória a dominação que eles exercem no estado há mais de cinco décadas. Assim, o episódio que envolveu a ocupação e desocupação de palácios na posse da governadora Sarney é tão somente a ponta do iceberg que, submerso, esconde os horrores de insensibilidade e insensatez que norteiam os mandatários maranhenses. Disso tudo, fica uma grande dúvida: será que a senhora Sarney está bem acomodada no seu novo (?) palácio?     

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