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| 09 de Março de 2009 | Imprimir artigo | ![]() |
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Por Flávio Rezende*
Como sempre faço logo cedo, coloquei o corpo em movimento, acordando também a mente e explodindo de gratidão à existência pelas cenas lindas que observo, comecei a sentir certo receio ao ver pessoas se aproximando, pois algumas tinham aparência um pouco duvidosas quanto à conduta pessoal.
Não consigo ainda afastar o julgamento da mente, quando começa a chegar perto algum ser com andar trôpego, olhar maligno e intenções negativas que ultrapassam seu campo perispiritual.
Sinto de longe uma energia esquisita e sei que conto com proteção e ajuda espiritual, para desviar caminhos e evitar determinados encontros. Apesar disso, não estamos totalmente livres de situações desagradáveis e acontecimentos nefastos.
Para mim tudo que nos acontece tem algo a ver com o que já fizemos e até as mortes, facadas, assaltos e acidentes de trânsito têm algo de pedagógico. Num primeiro momento não conseguimos mentalizar nestes termos e, muitas vezes, desencarnamos nos sentindo injustiçados, mas, quando determinadas coisas clareiam em outros ambientes espirituais, percebemos então o motivo de cada evento em nossa passagem.
O caminhar foi tranqüilo e os seres trôpegos e suspeitos passaram ao largo. Voltei intocável para casa, mas com a cabeça a mil. Manuseando o jornal, li que a polícia prendeu um rapaz acusado de assaltos a turistas em Natal.
O jovem de apenas 22 anos fala várias línguas e afirmou assaltar para satisfazer seus desejos. Certamente ele queria dinheiro para promover orgias em motéis, andar de Hilux, viajar para São Paulo ou Rio de Janeiro, beber uísque bem envelhecido e posar para os amigos e amigas com correntes com elos de ouro e relógios suíços.
Os nossos desejos precisam ser pesados e pensados, numa profunda reflexão pessoal, pois eles podem nos levar a caminhos diferentes.
Se um jovem passa a ter desejo de constituir uma bela família, sonha em encontrar uma esposa decente, gerar filhos aos quais possa dar educação e saúde, adquirir uma casa para abrigar os seus, ir ao estádio de futebol ver seu time jogar na companhia dos amigos, seguir adiante com hábitos positivos e idéias fraternas, esse desejar vai conduzir este ser para um caminho certamente do bem e ele vai à busca disso da maneira mais correta possível.
Como seus desejos e seus sonhos são do bem, são da paz e do amor, terá assistência dos amigos espirituais de elevado nível e receberá bênçãos ao longo da trajetória.
Já o jovem que passa a desejar cada vez mais bens materiais, sem ética, sem educação e sem espiritualidade, na ânsia de obter os carros, drogas, acessos a shows e roupas de grife, passará a receber influência de seres de baixíssima evolução, ávidos por vinganças, brincadeiras com álcool e aventuras irresponsáveis, conduzindo seguramente o ser para o pântano da marginalidade, escurecendo sua visão, tapando sua audição para os conselhos dos que querem tirá-lo deste caminho e, infelizmente, pavimentando a morte deste jovem, pois quem rouba, mata e se porta com indignidade, acelera sua retirada da materialidade e, lamentemos todos, atrasa sua missão e impõe a si próprio, novos carmas negativos, que sem dó e nem piedade, terão que ser pagos em existências futuras.
Os desejos nos levam a algum lugar. Os sábios e grandes mestres dizem que nós mesmos criamos nosso céu ou nosso inferno.
Se nos diferenciamos dos animais por termos capacidade de pensar, devemos direcionar nossas vidas para o paraíso, utilizando o amor pela família, a ética e os bons costumes, como matérias primas desta perfeita condução.
Se, ao contrário, caminhamos para o inferno, que diferença temos dos animais?
Uma vida selvagem num corpo humano é um retrocesso sem igual. Os irmãos do reino animal não podem ser culpados pela vida que levam, pois cumprem sua sina, mas um ser que já obteve um nascimento humano, não pode jamais ferir o próximo e nem conduzir sua vida de maneira ordinária.
Ame a todos, sirva a todos e direcione seus desejos para os caminhos do bem.
* É escritor e jornalista em Natal/RN (escritorflaviorezende@gmail.com)
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